Homenagem ao Dia do Professor 2015

Dos tempos em que convivemos, ficaram as mais doces lembranças, as mais belas conquistas, as mais sólidas construções, os mais expressivos saberes. E é isso exatamente o que nos move e acaba, em síntese, por configurar a nossa história de vida.

Foram muitos os momentos em que aprendemos juntos.  Momentos em que, por exemplo, aprendemos a importância de uma Geografia que superou distâncias e nos aproximou de lugares, de paisagens, de pessoas, por mais distante que parecessem; que nos levou a desbravar o Planeta Água, originalmente concebido como Terra, a desvendar Plutão, antes planeta, agora não mais. Ora derrubamos fronteiras, muros, cercas e barreiras, ora construímos outras. Mapas são refeitos e eis que novas configurações surgem para esse Velho Mundo que nos parece tão novo. Iugoslávia, Alemanha, União Soviética, Tchecoslováquia. Tantas mudanças!

Deciframos alguns dos códigos que movem a engrenagem da vida e nos motivam na constante busca pela evolução, pela transformação, pela inovação, pela superação. São códigos impressos no cerne de cada um dos seres, os vivos e os não vivos. Desses seres, conhecemos seus reinos, filos, classes, ordens, famílias, gêneros e espécies. E quem há de duvidar que ainda há muito mais a se decifrar sobre a origem da vida, das coisas, do homem!

Nas acaloradas discussões que travamos, era sempre a filosofia que procurava nos guiar no caminho da razão. Em muitas das vezes chegávamos a duvidar das certezas, mas sempre acreditando na vida. E, diante disso, saímos convictos de que muito pouco sabemos e de que ainda há muito a aprender. É o complexo do “Só sei que nada sei” de Sócrates, motor para essa busca incessante do conhecimento.

Das muitas incursões pelo universo do verbo “to be”, ficou aquele desejo de sempre ir além, de conhecer o novo, o diferente. De quem sabe “viajar” para outros “universos”, mais distantes, mais complexos, mais atraentes.

Acumulamos momentos reais, racionais, medidos por números. Ora inteiros, ora fracionados, dispostos numa ordem, numa sequência em que pareciam prontos para equacionar os problemas da vida, mesmos os irracionais e complexos. Ah, quanto de racionalidade existe nesta vida? Quantas contas feitas e refeitas? Cálculos, somatórios, resultados, conferências… no final, tudo exatamente lógico, perfeito. Se não estivesse, era um sinal de que ainda não havíamos chegado ao final.

Admiramos os traços, as cores, as perspectivas, as luzes, as sombras, os sorrisos, mesmo os mais enigmáticos, imortalizados por um artista que cria e recria ao mostrar a vida em todas as suas dimensões. Compreendemos, nas palavras de Goethe, “que só a arte permite a realização de tudo o que na realidade a vida recusa ao homem”. A arte que expõe, mostra, revela e permite a observação, a admiração a constatação da força e do poder de criação.

Apropriamo-nos de uma linguagem germinada no seio da pátria, unindo extremos, expressando desejos, sonhos, realidades e ficções. Uma língua falada e escrita, pensada e cantada para que com ela possamos revelar nossos sentimentos, mesmos os mais íntimos, aqueles que muitas vezes damos apenas ao poeta a permissão de cantar. Com ela viajamos nas asas da poesia, de Camões a Pessoa, de Castro Alves a Bandeira.  Permitimos a nós mesmos mergulhar no solitário universo do poeta. Passamos a enxergar a poesia em tudo que nos move. No amor, na noite, no céu, no mar, na saudade, e até mesmo no sofrimento, na desilusão, na solidão e no desamor. Vivemos uma “Odisseia” literária que nos permitiu navegar em um “Mar salgado”; lutar contra moinhos, nem sempre de vento; cantar um romance de “pedra e de reino”; conhecer “Capitães”, embora de “areia”; viver dias de “Guerra e de paz”. Nem sempre a comédia era tão divina quanto parecia.  Desbravamos  “Os sertões” e as “Veredas”. Fizemos assim uma espécie de movimento armorial da vida para compreender que a linguagem de um povo é um patrimônio e, como tal, confere-lhe identidade.

Tornamo-nos protagonistas dos fatos, os quais que de maneira democrática são, cotidianamente, construídos nos seio da sociedade. Escrevemos uma história com a pena do saber, da cumplicidade, da verdade. Descobrimos que o Brasil não foi descoberto, que não existe um caminho para a paz, que a paz é o caminho. Conhecemos muitos dos personagens da história. César, Cabral, Tiradentes, Napoleão, Gandhi, tantos nomes, tantas histórias. Sobrevivemos às guerras, muitas guerras! Vimos impérios desabarem, mitos dissolverem-se, heróis sucumbirem ante a intolerância, a injustiça, a arrogância, a maldade. Mas, principalmente, conhecemos os anônimos da história: Josés,  Marias, Antônios, Rosas, Teresas, Pedros e milhares de outros que na eloquência do silêncio trabalham e lutam por respeito, dignidade, justiça, liberdade. Professor, aprendemos que a estrada existe, mas é você que nos ensina a caminhar retamente e que é o conhecimento a força que, inevitavelmente, move o mundo!                                                                                                         Professora  Clícia Maria.

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